quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Solos e Plantio da Cebola

Solos

A cebola se desenvolve melhor em solos de textura média e com teores adequados de matéria orgânica. Estes devem ser livres de impedimentos físicos (camadas compactadas, adensadas e encrostamentos) e serem de boa drenagem para que favoreçam o bom desenvolvimento das raízes e dos bulbos. Solos de textura muito argilosa, principalmente com argila de atividade alta como os Vertissolos dificultam a formação de bulbos, podendo deformá-los. Por outro lado, solos arenosos como os Neossolos Quatzarênicos, apresentam o inconveniente de ter baixa retenção de umidade, baixa disponibilidade de nutrientes e favorecerem a rápida mineralização da matéria orgânica. Solos de má drenagem, que são facilmente encharcáveis, devem ser evitados por dificultar o desenvolvimento fisiológico das plantas e favorecer a ocorrência de doenças. No entanto é possível o plantio nestes solos desde que seja realizada a implantação de sistemas de drenagem (drenos).
Solos de caráter salino e sálico também devem ser evitados pois a salinidade afeta o desenvolvimento das plantas, provocando decréscimos na produtividade de 25%, quando a condutividade elétrica for igual a 2,8 dS/m, e de 50%, quando igual a 4,3 dS/ m.
O preparo do solo é dos requisitos fundamentais para uma produção. Para a sementeira o solo deve ser preparado a uma profundidade de aproximadamente 20 cm e estar bem destorroado. Os canteiros devem seguir as curvas de nível do terreno para evitar a ocorrência de erosão hídrica e deve ter uma superfície uniforme, com leve declividade para não ocasionar escoamento muito rápido das águas da chuva ou irrigação e também o acúmulo de água na superfície, que favoreça a presença de doenças. O local onde será feito a sementeira (canteiro) deve ser de fácil acesso, plano, isento de plantas daninhas de difícil controle e próximo a fonte d`água. O solo deve apresentar boa estrutura, aeração, drenagem, para propiciar boa germinação das sementes e crescimento das plântulas.
A implantação da cultura da cebola é feita, pelos pequenos produtores, por meio do sistema de transplantio de mudas, mas com o desenvolvimento de semeadeiras de precisão, os grandes produtores estão fazendo a semeadura direta.

Produção de mudas

As mudas são produzidas em sementeiras que devem ser instaladas, preferencialmente, em locais próximos à área de transplantio, ensolarados, com solos bem drenados, arejados e que não tenham sido cultivados com cebola recentemente. A qualidade das mudas é de fundamental importância, pois elas são um fator de grande importância para se conseguir alta produtividade e boa qualidade na produção de bulbos.
O preparo das sementeiras consiste de aração e gradagem. O acabamento final é feito normalmente com enxada, os canteiros com dimensões variáveis em função do sistema de irrigação e da topografia do terreno. Admitindo-se utilizar o sistema de irrigação por microaspersão, pode-se confeccionar canteiros com dimensões de 1,0 m de largura por 5,0 m a 10 m de comprimento e altura de 0,10 m, ficando as demais dimensões dos canteiros em função do método de irrigação.
As adubações devem ser feitas com utilização de 50 g/m2 da mistura 6-24-12, incorporados ao solo antes da semeadura. Normalmente, é necessária uma complementação com uma adubação nitrogenada em cobertura, aos 15 -20 dias após a semeadura, empregando-se 10 g de sulfato de amônia/m2, ou 5 g de uréia/m2.
A semeadura deve ser feita com uma quantidade de, aproximadamente, 8 a 10 g de sementes/m2, em sulcos transversais ao comprimento do canteiro, confeccionados a mão ou com auxilio de um riscador de madeira com profundidade em torno de 0,5 a 1,0 cm e distância de 10 cm, sendo necessários 2,5 a 3,0 kg de sementes para o plantio de 01 hectare, semeadas em uma sementeira de 100 m2 para cada kg de sementes.
Logo após a semeadura, como medida preventiva para o controle de pragas, recomenda-se pulverizar sobre as sementes uma solução do inseticida Carbaril na dosagem de 1,5 vez a recomendação comercial. Após esta pulverização, fazer a cobertura das sementes com terra fina ou areia. Em seguida, fazer uma cobertura morta utilizando palha seca de arroz ou capim, ou mesmo tela sombrite, retirando-a no início da emergência das plântulas, sempre ao entardecer As irrigações devem ser feitas, preferencialmente, por microaspersão, com uma freqüência que permita manter o solo sempre úmido, com 80% da umidade disponível.
As pulverizações com inseticidas e fungicidas, bem como as capinas manuais, são práticas utilizadas conforme a necessidade, durante o desenvolvimento e formação das mudas.
Pode-se, também, produzir mudas em bandejas de isopor para plantio de pequenas áreas, sendo necessária a construção de um viveiro com tela ou sombrite para abrigá-las. As bandejas devem ficar apoiadas em bancadas de taboas ou de blocos, para que o fundo fique ao ar livre e não no chão. O substrato para o enchimento das células das bandejas pode ser adquirido no mercado ou preparado na propriedade. Na semeação, podem ser colocadas várias sementes por célula. Os tratos culturais são a irrigação e o manejo de pragas ou doenças.
a) Transplantio de mudas
O transplantio consiste em retirar as mudas da sementeira e levá-las ao local definitivo, onde serão plantadas em solo úmido, manualmente, uma a uma, em espaçamento previamente definido. Na região Nordeste, sob condições normais de cultivo, as mudas alcançam o estágio ideal para transplante entre 30 e 40 dias após o semeio, quando as mesmas apresentam de 4 a 6 mm de diâmetro do pseudocaule e altura média de 18 a 20 cm. As mudas, uma vez arrancadas, devem ser levadas o mais rápido possível para o local definitivo, não sendo necessário fazer nenhum tipo de poda. Deve-se eliminar as mudas fininhas, atrofiadas ou as que apresentarem algum sintoma de doenças.
No local definitivo, as mudas devem ser enterradas até a profundidade em que se encontravam na sementeira, sendo essa prática de transplantio, no Nordeste, efetuada com mão-de-obra feminina. O inconveniente é a necessidade de grande número de mão-de-obra para a operação de transplantio. Entretanto, leva a vantagem de que as mudas são produzidas em sementeiras que ocupam pequeno espaço, gastando-se pouca água nas irrigações e, portanto, menos energia pouca mão-de-obra para os tratos culturais das mudas até a fase de transplantio. Por outro lado, permite a obtenção de um estande desejado, dispensa replantio e raleio.

Espaçamento

A variação do número de plantas por unidade de área afeta a produtividade e a qualidade dos bulbos. Em baixas populações, são obtidos, geralmente, baixos rendimentos e alta percentagem de bulbos médios e grandes. Em cultivos com densidades maiores que a ótima, obtêm-se bulbos pequenos e desuniformes, de mais baixa qualidade comercial, comparativamente ao cultivo em densidade adequada. No Nordeste, são recomendados espaçamentos de 10 x 10 cm e de 15 x 10 cm, por apresentarem as melhores produtividade com bulbos de tamanho médio, comercialmente mais aceitos pelo consumidor. Se a produção visa o mercado externo, o espaçamento deve ser de 15 x 20 cm, pois o mercado externo exige bulbos do tipo Colossal (> 9,5 cm de diâmetro) e Jumbo de (7,5 a 9,5 cm de diâmetro).
b) Semeadura direta
Método utilizado principalmente nos Estados Unidos e em fase de expansão no Brasil, em alguns Estados, como Minas Gerais, Goiás, São Paulo e na Bahia, na região de Irecê e Mucugê. Possui a vantagem de reduzir a utilização da mão-de-obra no plantio e antecipação da colheita em alguns dias. O grande desafio para utilização deste método ainda é o controle de plantas invasoras. No Brasil, ainda não existe um herbicida eficiente e seletivo para controle de plantas daninhas, em especial de folha larga, na fase inicial do cultivo de cebola. Na semeadura direta, há um gasto médio de 2,5 a 5,0 kg de sementes/ha, variando de acordo com o maquinário utilizado. Geralmente, para o plantio direto utiliza-se a irrigação por pivô central,em vez da irrigação por aspersão.

Época de plantio

As distintas regiões produtoras de cebola do país apresentam diversidade quanto às épocas de semeadura e colheita. Isto possibilita o atendimento da demanda nacional, com produção interna durante o ano todo.
A época de plantio deve ser definida em função da compatibilização das exigências fisiológicas da cultivar a ser plantada com as condições ambientais locais e do mercado consumidor. O plantio na época certa, determinada, principalmente, em função das exigências climáticas de cada cultivar em relação ao fotoperíodo e à temperatura, proporciona aumento da produtividade e melhoria considerável na qualidade dos bulbos. Na região Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná), efetua-se a semeadura no período compreendido entre abril e junho, e a colheita de novembro a janeiro. Na região Sudeste (São Paulo e Minas Gerais), faz-se a semeadura no período de fevereiro a maio, e a colheita de julho a novembro. Na região Centro-Oeste (Goiás), a semeadura é feita de fevereiro a março e a colheita de julho a setembro. No Nordeste, o cultivo da cebola é realizado durante o ano todo, com concentração de plantio nos meses de janeiro a março e colheitas de maio a julho, para atender à demanda dos mercados consumidores das regiões Nordeste, Sul e Sudeste.

Preparo do solo

A cebola desenvolve-se melhor em solos profundos, ricos em matéria orgânica, com boa retenção de umidade, bem drenados e "leves". Em geral, os solos de textura média, quando bem drenados, são os mais indicados por possuírem boas condições físicas e maior eficiência produtiva.
Solos muito arenosos apresentam o inconveniente da baixa retenção de umidade e possibilidade de lixiviação de adubos, que podem contaminar águas subterrâneas causando problemas ambientais. Solos muito argilosos e "pesados" prejudicam o desenvolvimento dos bulbos e podem causar deformações e baixa qualidade comercial.
Com relação à fertilidade, deve-se, com base em análises de solo, fazer a correção e a adubação adequada para cada situação.
Independente do sistema de plantio e do método de cultivo, deve-se utilizar práticas conservacionistas, a começar pelo zoneamento agrícola, considerando-se a aptidão das áreas de cultivo. No plantio em si, deve-se atentar para a adoção de cultivo em nível e com terraceamento ou curvas de nível quando pertinente.
Para o preparo de solo no sistema convencional, são feitas geralmente uma aração e duas gradagens. Em solos que apresentem alguma camada subsuperficial compactada, recomenda-se o uso de subsolador à profundidade de pelo menos 5 a 10 cm abaixo da camada compactada. Em seguida, a finalização do preparo de solo varia conforme o método de plantio.
Quando se utiliza o método de semeadura direta no local definitivo, é comum o uso de rotocultivadores ou enxada rotativa com ou sem encanteirador, de modo a deixar o solo bem destorroado e aplainado, para que se obtenha uniformidade na distribuição das pequenas e irregulares sementes de cebola. O uso de canteiros é comum quando se faz necessário melhorar a drenagem em plantios precoces ou em solos de baixadas suscetíveis ao encharcamento.
No caso do método de plantio de transplante de mudas, o destorroamento não precisa ser tão intenso, de forma que, dependendo das características do solo, em geral basta o sulcamento. Em solos ou épocas passíveis de encharcamento também se pode efetuar o encanteiramento previamente ao sulcamento.
Para os métodos de plantio de bulbinhos ou soqueira seguem-se as mesmas recomendações de preparo do solo para o sistema de mudas.




domingo, 17 de setembro de 2017

Clima para a Cebola

A cebola é uma oleracéa de ciclo vital bienal, compreendendo uma fase vegetativa que culmina com a formação do bulbo no primeiro ano e uma fase reprodutiva, onde se dá o florescimento e, subseqüentemente, a produção de sementes no segundo ano, quando a cultivar está totalmente adaptada às condições climáticas da região.
Tratando-se de uma planta com estas características, para passar da fase vegetativa para a reprodutiva, ela necessita que baixas temperaturas induzam a diferenciação das gemas florais. No Brasil, apenas os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm condições de produção de sementes de cebola sem a vernalização artificial dos bulbos-mãe. Nos demais estados, sobretudo no Nordeste brasileiro, a vernalização é uma prática necessária quando se pretende produzir sementes de cebola. Existe uma interação entre o tempo de vernalização, cultivar e condições climáticas locais, sendo que, em geral, à medida em que se aumenta a distância do Equador, as necessidades de vernalização são cada vez menores, em virtude da diminuição da temperatura média local na época de produção de sementes. Salienta-se que sob condições de vernalização, a produção de sementes ocorre no período de um ano, fato constatado na região Nordeste. Estudos conduzidos no Vale do São Francisco verificaram que a vernalização artificial de bulbos é condição necessária e indispensável para produção de sementes no Nordeste. Verificou-se que existe uma interação entre a cultivar e o tempo, onde o período máximo de vernalização de bulbos se situou entre 90 e 120 dias sob temperaturas de 8 ? 10 ºC.
A formação de bulbos está relacionada com a interação entre a temperatura e o fotoperíodo (duração do dia). Nesta interação, o fator mais importante é o fotoperíodo, o qual determina os limites de adaptação das diferentes cultivares. Estes fatores climáticos controlam a adaptação da cebola e limitam a recomendação de uma mesma cultivar para uma faixa ampla de latitudes. A escolha de cultivares não adequadas para o local e a época resulta em baixa produtividade e qualidade dos bulbos. A temperatura, além de influenciar a bulbificação, afeta diretamente o florescimento. Quando as condições climáticas não satisfazem às exigências da cultivar, não há a bulbificação, com a ocorrência de plantas improdutivas, denominadas de "charutos", emissão de pendão floral e formação de bulbos pequenos.

Fotoperíodo

A cebola é uma planta de dias longos quanto à formação de bulbos, e as cultivares designadas de dias curtos não são, particularmente, plantas de dias curtos; simplesmente exigem menos horas de luz para bulbificarem. Cada cultivar tem sua exigência em horas de luz para iniciar o processo de formação de bulbos. Desse modo, se uma determinada cultivar é exposta a uma condição fotoperiódica menor do que a exigida, haverá um elevado índice de plantas que não irão se desenvolver, formando os conhecidos "charutos". Ao contrário, se uma cultivar é submetida a um fotoperíodo maior que o requerido, a bulbificação ocorrerá precocemente, formando bulbos de tamanho reduzido, sobretudo se essa condição ocorrer num estádio inicial de desenvolvimento das plantas. Quando se cultiva cebola em baixos fotoperíodos (muito curtos), as plantas formam folhas indefinidamente e não formam bulbos.
Na etapa vegetativa do ciclo, há o desenvolvimento e o amadurecimento do bulbo. O fotoperíodo é decisivo na bulbificação, e a espécie de dia longo, para bulbificar requer um fotoperíodo maior que o valor critico da cultivar. Em função do número de horas de luz diária exigido para que as plantas formem bulbos comercializáveis, as cultivares de cebola são classificadas em três grupos: de dias curtos (DC); de dias intermediários (DI) e de dias longos (DL). As DC iniciam a bulbificação em dias com, pelo menos, 11 a 12 horas de luz; as DI exigem dias com 12 a 14 horas de luz e as DL exigem mais de 14 horas de luz diária.
No Brasil, em função dos fotoperíodos que ocorrem ao longo do ano, as cultivares possíveis de serem plantadas em condições normais de temperatura são as dos tipos DC e DI. As cultivares DC se adaptam à maioria das regiões brasileiras, sendo as mais importantes para o cultivo no Nordeste brasileiro, onde são cultivadas cebolas amarelas e roxas desse grupo, denominadas precoces, enquanto as DI são mais adaptadas ao cultivo na região Sul do Brasil, desde que plantadas na época certa. Cultivares DL não bulbificam bem no Brasil, mesmo nas condições de dias intermediários do extremo Sul do Brasil, devido ao fotoperíodo insuficiente para bulbificação.
Na Tabela 1, são apresentadas as variações do fotoperíodo em estados produtores de cebola em função da latitude e da épocas do ano.
Tabela 1. Variação do fotoperíodo em função da latitude e época do ano.
Latitude
Fotoperíodo (horas de luz)
Janeiro
Junho
Dezembro
12,0
12,0
12,0
9º S (PE)
12,5
11,5
12,5
15º S (DF)
12,5
11,1
12,0
23º S (SP)
13,5
10,0
13,5
32º S (RS)
14,5
9,0
14,5
Fonte: Sílvia e Vizzotto (1990).
O fotoperíodo é o fator mais importante na fase vegetativa do ciclo da cebola, período que vai da germinação da semente à formação do bulbo. Por outro lado, ainda que a duração do dia seja o principal fator indutivo da bulbificação, seus efeitos são modificados pela temperatura do ar.

Temperatura

A formação de bulbos é acelerada em condições de altas temperaturas e, sob condições de temperaturas baixas, o processo é retardado. Temperaturas altas (acima de 32 ºC) na fase inicial de desenvolvimento das plantas podem provocar a bulbificação prematura indesejável. Ao contrário, a exposição das plantas a períodos prolongados de temperaturas baixas (< 10 ºC), pode induzir o florescimento prematuro ("bolting"), que é altamente indesejável, quando se visa a produção comercial de bulbos e não de sementes. Temperaturas em torno de 15,5 a 21,1 ºC promovem a formação de melhores bulbos e maior produção.
Resumindo, pode-se dizer que satisfeitas as necessidades de fotoperíodo, somente haverá boa formação de bulbos se a temperatura for favorável à cultivar plantada. Temperaturas baixas predispõem as plantas de cebola ao florescimento precoce, sem formação de bulbos, enquanto sob temperaturas elevadas o tamanho dos bulbos será reduzido e a maturação mais rápida.
Na passagem da fase vegetativa para a reprodutiva da cebola, a temperatura é fator de maior importância. A iniciação do processo de florescimento ocorre dentro das partes vegetativas da planta, verificando-se, subseqüentemente, a emissão e a elongação do escapo floral. Apesar de existirem poucas informações sobre as trocas bioquímicas associadas com a transição da fase vegetativa para a reprodutiva da cebola, tem sido observada uma intensificação da atividade hormonal (giberelina), justamente antes do início da formação da inflorescência em bulbos armazenados, sugerindo uma associação com o frio (vernalização).
Os efeitos da temperatura em bulbos armazenados sobre a iniciação floral e a subseqüente emergência são complexos, porque a temperatura afeta mais de um processo, simultaneamente. A condição de dormência e baixa atividade fisiológica dentro do bulbo são mantidas por temperaturas muito baixas (0 ºC), ou altas (25 a 30 ºC). A taxa máxima de desenvolvimento no interior do bulbo ocorre a 15 ºC. Destaca-se, ainda, que a iniciação floral, normalmente, requer temperaturas baixas, não devendo exceder 17 ºC. A faixa de temperatura mais favorável é de 9 a 13 ºC. Isso pode ser interpretado como um efeito direto sobre o processo de vernalização, ou pode envolver uma interação entre vernalização e taxa de desenvolvimento. A emergência das hastes florais é favorecida sob temperaturas ao redor de 17 ºC. A reversão do estádio floral à condição vegetativa (desvernalização) pode ocorrer quando bulbos que iniciaram a fase reprodutiva são submetidos a temperaturas de armazenamento na faixa de 28 a 30 ºC.
O florescimento em uma cultura de cebola destinada à produção de bulbos (florescimento prematuro ou "bolting") é prejudicial e ocorre quando as plantas são expostas a períodos prolongados de frio, após terem atingido determinada idade fisiológica. As cultivares desenvolvidas para a região Nordeste do Brasil, como as da série IPA, são menos exigentes a baixas temperatura e tempo de exposição ao frio para florescer do que as cultivares desenvolvidas para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
A Tabela 2 mostra a relação entre o fotoperíodo e a temperatura do ar na bulbificação e floração da cebola.
Tabela 2. Relação entre fotoperíodo e temperatura do ar na bulbificação e floração, em função do valor crítico de exigência de cultivares de cebola.
Fotoperíodo
Temperatura do ar
Abaixo do crítico
Acima do crítico
Bulbo
Flor
Bulbo
Flor
Abaixo do crítico
Não
Sim
Não
Não
Acima do crítico
Sim
Sim
Sim
Não
Fonte: Neves (1977).

Precipitação e umidade

A precipitação e umidade, embora não exerçam efeito sobre a iniciação da bulbificação e florescimento, exercem efeito sobre a rapidez de desenvolvimento dos bulbos e estrutura floral, além de afetar o estado fitossanitário e a qualidade dos bulbos na colheita.
A ocorrência de chuvas em excesso, por ocasião da maturação, favorece o apodrecimento dos bulbos ainda no campo, diminuindo consideravelmente sua conservação. Além disso, chuvas em excesso em qualquer etapa do desenvolvimento da cultura afetam diretamente o seu rendimento, pela maior ocorrência de doenças foliares e de raízes. Para boa qualidade dos bulbos, é necessário tempo seco durante a colheita e a cura da cebola. Bulbos que são colhidos em tempo úmido normalmente apodrecem imediatamente. A umidade relativa elevada favorece a incidência de doenças foliares, aumentando o custo de produção, podendo, inclusive, comprometer a produção.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Botânica e Composição química da Cebola



Botânica
A primeira classificação da cebola foi feita por Carl Van Lineus em seu livro “Species Plantarum” como pertencente à família Liliaceae e ao gênero Allium, sendo a espécie A. cepa L. Porém, estudos recentes têm questionado o posicionamento do gênero Allium. Para alguns taxononistas, com base nas características morfológicas e fisiológicas, a classificação dentro da família Liliaceae ou da Amaryllidaceae (classe Monocotyledoneae, ordem Asparagales) deve ser mantida. Por outro lado, estudos morfológicos e moleculares têm reforçado a idéia de que o gênero Allium pertence a uma família monofilética (Alliaceae), que apresenta características distintas, porém estreitamente relacionadas com a família Amaryllidaceae. No presente trabalho, a classificação adotada é: Sub-divisão – Angiospermae; Classe – Monocotiledoneae; Sub-classe – Liliidae; Ordem – Liliales; Família – Alliaceae; Gênero – Allium e Espécie - Allium cepa L. Além da cebola, o gênero Allium inclui outras espécies de importância econômica como o alho (A. sativum L.), o alho porró (A. ampeloprasum L. var. porrum (L.) J. Gay), a cebolinha (A. fistulosum L.), entre outros.
Quanto ao centro de origem da cebola, até o presente, persistem dúvidas, pois não foram encontradas espécies selvagens de Allium cepa. A maioria dos botânicos, todavia, aponta a Ásia Central, que compreende um território relativamente pequeno do Noroeste da Índia (Punjab, Cachemira), todo o Afeganistão, as ex-Repúblicas Soviéticas de Tadjiquistão e de Uzbequistão, e a parte ocidental de Tian-chan, como o seu provável centro de origem ou primário. Esta região foi assim considerada devido à grande diversidade de invasoras do gênero Allium encontrada nessa área. Por outro lado, são considerados prováveis centros de domesticação ou centros secundários de origem o Oriente Próximo, que abrange o interior da Ásia Menor, toda a Transcaucásia, o Irã, as terras altas do Turcomenistão e as regiões do Mediterrâneo, que compreendem os países em torno do mar Mediterrâneo. Nessas regiões, são encontradas as cebolas de bulbos grandes.
Morfologicamente, a cebola é descrita como uma planta herbácea, cuja parte comercial é um bulbo tunicado, que apresenta variação em formato, cor, pungência, tamanho e conservação pós-colheita.
No desenvolvimento da planta, as folhas, que podem ser cerosas ou não, apresentam disposição alternada, formando duas fileiras ao longo do caule. As bainhas foliares, nas quais as folhas se inserem, projetam-se acima da superfície do solo e formam uma estrutura firme, comumente chamada de caule, mas que, na realidade, é um pseudocaule. O caule verdadeiro está localizado abaixo da superfície do solo e é composto por um disco achatado (prato), situado na extremidade inferior do bulbo (Fig. 1), que emite raízes fasciculadas, pouco ramificadas, com maior concentração nos primeiros 30 cm do solo, mas que podem alcançar 60 cm de profundidade. De forma geral, as raízes raramente alcançam 25 cm de profundidade, sendo que lateralmente não superam a 15 cm.

Fonte: Vidal Vidal (1992)
Figura 1. Detalhe do bulbo tunicado de Allium cepa L., mostrando a região do prato na porção inferior e as gemas na porção central do bulbo.
O florescimento em cebola é condicionado, primeiramente, por temperaturas baixas. Quando a planta é induzida a florescer, a gema apical pára de emitir primórdios foliares e inicia a formação da inflorescência, com subseqüente elongação da haste ou escapo floral. A altura das hastes florais, em geral, varia de 0,5 a 1,5 m. Cada planta poderá emitir de 1 a 20 hastes florais, dependendo do número de gemas laterais existentes no caule.
A haste floral é, inicialmente, uma estrutura sólida, mas, à medida em que cresce, torna-se oca. No topo da haste floral desenvolve-se uma inflorescência de forma esférica, em cimeira. Essa estrutura floral é chamada de umbela, possuindo de 50 até 2.000 flores. Na verdade, a inflorescência é constituída por um agregado de muitas pequenas inflorescências de 5 a 10 flores (cimeiras), cada uma delas abrindo em uma seqüência definida, o que causa considerável irregularidade no processo de abertura das flores. Em geral, há uma amplitude de 25 até mais de 30 dias, entre a abertura da primeira e da última flor de uma mesma umbela.
Individualmente, cada flor da cebola é hermafrodita, apresentando androceu composto por seis estames (três internos e três externos), gineceu formado por três carpelos unidos com um único pistilo e perianto com seis segmentos, estando encerrada por brácteas. As pétalas são de coloração violácea ou branca. O pistilo contém três lóculos, cada um dos quais com dois óvulos. As flores contêm nectários localizados na base dos estames e o néctar é acumulado entre o ovário e os estames internos.
As anteras dos três estames internos abrem-se primeiro e, uma após outra, liberam o pólen. Depois há a deiscência das anteras dos três estames externos, também em intervalos irregulares. A maior parte do pólen é liberada entre 9 horas e 17 horas do primeiro dia em que ocorreu a abertura da flor. As anteras liberam pólen em um período de três a quatro dias antes de o estilete alcançar o comprimento máximo e o estigma tornar-se receptivo.
Essa assincronia entre a maturidade dos órgãos sexuais (protandria) favorece a polinização cruzada, que ocorre com, aproximadamente, 93%. A baixa taxa de autofecundação existente dá-se por meio da transferência de pólen entre flores de uma mesma umbela ou entre flores de umbelas diferentes de uma mesma planta, mas é impossível a sua ocorrência dentro de uma flor, individualmente. Os efeitos da depressão por autofecundações sucessivas na cebola são bem acentuados, sendo mais pronunciados na segunda geração (S2). Em condições de cultivo comercial, as plantas autofecundadas são eliminadas devido à menor capacidade de sobrevivência.
Quanto às formas horticulturais de Allium cepa L., estas podem ser colocadas em três grupos:
Grupo Typsicum (Regel) - grupo das cebolas comuns que apresentam bulbos simples e grandes, inflorescência tipicamente sem bulbilhos, plantas quase sempre originárias de sementes verdadeiras e de ciclo bienal. Neste grupo, estão todas as cebolas comercialmente importantes.
Grupo Aggregatum (G. Don) (Allium cepa var. aggregatum) - grupo das cebolas com bulbos compostos, inflorescência tipicamente sem bulbilhos, podendo produzir sementes ou ser estéreis, de ciclo anual e multiplicação quase que exclusivamente vegetativa. Este grupo é caracterizado por bulbos que se multiplicam livremente e são comumente usados para a propagação. Possui três formas distintas:
a) Cebola múltipla ou batata (Potato onion) - os bulbos são agregados, apresentam coloração externa marrom e a propagação ocorre por meio da formação de numerosos bulbos laterais. Esses, por sua vez, podem originar uma nova planta e, no segundo ano, produzem bulbos que variam de 2 a 20 bulbilhos. Raramente florescem e as sementes são esparsas e de baixa germinação.
b) Cebola sempre- pronta (Every-Ready onions) - na Inglaterra, servem para suprir a falta de bulbos comerciais. Este tipo de cebola assemelha-se ao tipo comum; no entanto, é perene e possui poucos bulbos e folhas, a haste floral é curta e a umbela é menor. Raramente florescem e são propagadas por divisão, nunca por sementes. Um bulbo produz de 10 a 12 bulbos.
c) Chalota (Shallot) - alguns autores a consideram pertencente à espécie A. ascolonicum; no entanto, é uma forma de A. cepa. Usualmente, é de pequena altura, mas as flores e inflorescências são tipicamente da cebola comum.
Grupo Proliferum (Allium cepa var. proliferum) - grupo das cebolas com bulbos, às vezes deficientemente desenvolvidos. As inflorescências apresentam-se carregadas de bulbinhos usualmente sem sementes verdadeiras. A propagação é feita vegetativamente pelos bulbilhos da inflorescência.
Quanto aos recursos florais, o néctar secretado atrai os insetos (abelhas, vespas e moscas, entre outros), que são os principais agentes polinizadores. Para Allium cepa, são conhecidas 276 espécies de insetos que visitam suas flores, sendo que destes, Hymenoptera e Diptera são os mais importantes polinizadores (Bohart et al., 1970; Williams & Free, 1974; Ewies & El-Sahhar, 1977; Woyke, 1981). Da ordem Hymenoptera, Apis mellifera destaca-se como a mais importante espécie polinizadora (Bohart et al., 1970; Woyke, 1981; Witter & Blochtein, 2003), sendo indicada para o manejo na produção comercial de sementes.
No que se refere à citogenética, o número básico de cromossomos da cebola é 2n = 16, sendo uma das espécies mais polimórficas, exibindo diferenças quanto ao formato, tamanho, cor, conteúdo de matéria seca, reação a fotoperiodismo e outros caracteres da planta.

Composição química


Pelo fato de a cebola ser mais usada como condimento que como alimento, seu consumo diário "per capita" é pequeno e a própria quantidade ingerida limita sua contribuição nutricional. Porém, sob o ponto de vista alimentar, tem sido muito utilizada, com crescente importância na indústria de alimentos. Além de utilizada como condimento, por ser a base para todos os temperos, combinando com quase todos os tipos de pratos, dando-lhes sabor especial, a cebola possui princípios químicos que têm sido utilizados com freqüência na indústria farmacêutica. Para tal uso, bem como na alimentação, necessário se torna que a cebola (matéria-prima) tenha quantidades adequadas de alguns constituintes responsáveis por um maior rendimento industrial e um produto processado de melhor qualidade.
No processamento, tem sido industrializada nas formas cozida, picles congelada, desidratada (pó, flocos), essência (óleo de cebola), bulbos enlatados (conserva), e liofilizada. No Brasil, as formas industrializadas mais facilmente encontradas são a de flocos desidratados, creme de cebola, picles e bulbos enlatados (conserva). Nos últimos anos, a ciência da nutrição tem tomado outro rumo. Novas fronteiras se abrem, ligando nutrição e medicina, com o surgimento do conceito de alimentos funcionais. A nutrição continua tendo seu papel, que é o estudar fornecimento de nutrientes, mas a descoberta de que os alimentos contêm componentes ativos, capazes de reduzir ou prevenir o risco de doenças, inclusive o câncer, faz com que essa ciência associe-se à medicina e ganhe uma dimensão extra no século 21. Os termos alimento funcional ou nutracêuticos representam um novo conceito, que engloba uma ampla variedade de compostos que atuam maximizando funções fisiológicas relevantes, físicas ou mentais, em adição a suas propriedades nutricionais.
Há fortes evidências do papel da cebola na dieta alimentar em melhorar as performances mental e física, retardar o processo de envelhecimento, auxiliar na perda de peso e na resistência a doenças (melhoria do sistema imunológico do ser humano).
A cebola, em função dos baixos teores de proteína, ácidos graxos e carboidratos, não pode ser considerada fonte nutricional, tendo seu valor como condimentar e medicinal. É utilizada em diversos pratos e apresenta consumo crescente, sendo atualmente, de 7,2 kg/pessoa/ano.
Comparativamente a outras hortaliças frescas, é relativamente rica em caloria, em cálcio e em riboflavina. Possui diferentes minerais, como cálcio, ferro, fósforo, magnésio, potássio, sódio e selênio. Destes, a contribuição da cebola em uma dieta padrão é significativa para o selênio, mineral que o organismo requer em quantidades mínimas, mas cuja deficiência causa catarata, distrofia muscular, depressão, necrose do fígado, infertilidade, doenças cardíacas. Este mineral oferece, ainda, proteção contra doenças crônicas associadas ao envelhecimento, como arteriosclerose (doenças das artérias coronarianas, cerebrovascular e vascular periférica), câncer, artrite, cirrose e efisema.
A cebola também é rica em vitaminas B1 (tiamina) e B2 (riboflavina), possuindo teores medianos de vitamina C (ácido ascórbico), como apresentado na Tabela 1. A vitamina B1 é indispensável à saúde do sistema nervoso e co-fator do crescimento normal, da regularidade do metabolismo e da manutenção do apetite. A geração de energia na célula é severamente comprometida na ausência de tiamina. A deficiência severa de tiamina é chamada beribéri e se caracteriza por sintomas neuromusculares avançados, incluindo atrofia e fraqueza muscular. A vitamina B2 tem como uma das principais funções atuar como coenzima de sistemas que intervêm nas oxidações celulares. Também exerce ação promotora do crescimento e atua na regeneração sangüínea. A vitamina C é necessária para a formação dos ossos, a manutenção do tecido conjuntivo normal, a cicatrização de ferimentos, a absorção de ferro, dentre outras importantes funções.
Há muito tempo já é conhecida a ação terapêutica das plantas do gênero Allium, principalmente o alho e a cebola. Esta ação tem sido atribuída aos compostos orgânicos sulfurados, abundantes nos tecidos destas plantas. Entre as principais ações terapêuticas, está a ação inibidora sobre alguns microorganismos, como a presença de substâncias com atividade antibiótica sobre Staphylococcus aureus. Observou-se que o óleo de cebola possui um composto sulfurado, com capacidade de diminuir o nível de glicose do sangue de ratos.
É particularmente rica em dois grupos de compostos com comprovado beneficio à saúde humana: flavonóides e sulfóxidos de cisteína (compostos organosulfurados). Dois sub-grupos de compostos do tipo flavonóide predominam em cebolas: as antocianinas (que conferem a coloração avermelhada ou roxa aos bulbos) ou as quercetinas e seus derivados (que conferem coloração amarelada ou cor de pinhão aos bulbos). As antocianinas, quercetinas e seus derivados são de grande interesse pelas suas propriedades anticarcinogênicas.
Para melhor aproveitamento das propriedades nutricionais e funcionais da cebola, recomendações médicas sugerem que cada pessoa consuma, pelo menos, 50 gramas de cebola fresca (crua) por dia.
Tabela 1. Composição química (100g do produto) da cebola.
Componente
Filgueira (2000)
FAO (2001)
National Onion Association-EUA
(2001)
Necessidade Diária (%)
Umidade (%)
-
87,8
-
-
Proteína (g)
1,6
1,8
1,3
-
Cálcio (mg)
32
-
20,0
2
Potássio (mg)
-
-
157,5
4
Fósforo (mg)
44
-
-
-
Ferro (mg)
0,5
-
0,25
1
Vitamina A (U.I.)
120
-
-
-
Tiamina (ug)
50
-
-
-
Riboflavina (ug)
50
-
-
-
Niacina (mg)
0,5
-
-
-
Vitamina C (mg)
32
-
6,5
9
Vitamina B6 (mg)
-
-
0,2
5
Lipídios (g)
-
0,2
0
0
Cinzas (g)
-
0,7
-
-
Fibra dietética (g)
-
1,9
1,2
6
Carboidratos totais (g)
-
9,5
8,7
2
Açúcares (g)
-
-
6,25
-
Colesterol
-
-
0
0
Sódio
-
-
0
0
Valor energético (Kcal)
-
39
37,5
-
Fonte: Embrapa Semi-Árido



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Importancia econômica da Cebola


Dentre as várias espécies cultivadas pertencentes ao gênero Allium, a cebola (Allium cepa L.) é a mais importante quanto ao volume de produção e valor econômico.
A globalização da economia mundial e a formação do Mercosul interferiram significativamente no mercado de hortaliças no Brasil, sobretudo o da cebola. As tendências das produções na Argentina e no Brasil evidenciam um mercado competitivo do qual continuarão participando somente os países que tiverem vantagens comparativas e fizerem reconversão nos setores produtivos. Portanto, somente continuará no mercado o produtor que se tecnificar para obter produto de qualidade e se adaptar às mudanças de mercado.
Segundo a Food Agriculture Organization - FAO, em 2004 foram produzidos no mundo 55,15 milhões de toneladas em 3,05 milhões de hectares, resultando em uma produtividade média de 18,1 t/ha (Tabela 1).
O maior produtor mundial de cebola é a China, que no ano de 2004 foi responsável por cerca de 32,7% da produção, sendo, também, o país que apresenta a maior superfície cultivada. Outros países, como a Índia, Rússia e Paquistão, se destacam entre os maiores produtores mundiais, com áreas acima de 100 mil hectares. O Brasil situa - se como o nono maior produtor mundial, com uma área de 57,03 mil ha e uma produção de 1,12 milhão de toneladas, o que proporcionou uma produtividade média de 19,7 t/ha. Em termos de produtividade, entre os países que apresentam as maiores áreas de plantio, sobressaem os Estados Unidos, com maior produtividade média (54,41 t/ha), seguido do Irã, China, Turquia, Brasil e Paquistão (Tabela 1).
Na América do Sul, o Brasil é o maior produtor, seguido pelo Argentina, Colômbia e Peru. Entretanto, as produtividades nacionais obtidas nos últimos anos o posicionam abaixo dos índices de maior expressão registrados para a cultura, que pertencem ao Chile e Peru, com 47,6 e 28,7 t/ha, respectivamente.

Principais países produtores

Tabela 1. Área, produção e produtividade média da cebola nos principais países produtores, 2004.
Países
Área (ha)
Produção (t)
Produtividade (t/ha)
China
850.600
18.035.000
21,20
Índia
530.000
5.500.000
10,38
Rússia
127.000
1.673.420
13,18
Paquistão
106.000
1.657.900
15,64
Indonésia
779.508
779.508
9,44
Turquia
82.000
1.750.000
21,34
Vietnam
76.000
225.000
2,96
Estados Unidos
67.440
3.669.540
54,41
Brasil
57.036
1.120.680
19,65
Bangladesh
51.799
272.000
5,25
Ucrânia
45.000
520.000
11,56
Iran
45.000
1.450.000
32,22
Mundo
3.049.741
55.153.027
18,08
Fonte: FAO (2005).
A cebolicultura no Brasil é uma atividade praticada principalmente por pequenos produtores e a sua importância sócioeconômica se fundamenta não apenas na rentabilidade, mas, na grande demanda de mão-de-obra, contribuindo para a viabilização de pequenas propriedades e a fixação dos produtores na zona rural, reduzindo a migração para as grandes cidades.
No período de 1961 a 2005, a área cultivada com cebola no Brasil passou de 40.890 para 58.388 ha (Tabela 2), o que representa um aumento da ordem de 42,8%. No entanto, em relação à produção, no período de 1940 (48,55 mil t) a 2005 (1,13 milhão de t), registrou-se um incremento de 2.227,5%. Neste período, foi pouca a variação na área cultivada, mas observa-se um grande aumento na produtividade, provavelmente em função dos esforços das instituições de pesquisa, além do interesse das empresas produtoras de sementes.
As regiões Sul e Sudeste são as principais produtoras de cebola no país, respondendo com aproximadamente 82,0 % da produção nacional (Tabela 3), sendo o melhor desempenho apresentado pela região Sul, que respondeu por 59,6% da produção em 2004, todavia, com a menor produtividade média (17,5 t/ha).

Evolução do cultivo de cebola no Brasil

Tabela 2. Evolução da área plantada, produção e produtividade de cebola no Brasil, 1940/2005.
Anos
Área (ha)
Produção (t)
Produtividade (t/ha)
1940²
-
48.550
-
1950²
-
121.988
-
1961¹
40.890
192.639
4,71
1965¹
46.732
225.496
4,83
1970¹
51.719
284.603
5,50
1975¹
52.258
346,484
6,63
1980¹
67.044
694.585
10,36
1985¹
58.005
639.569
11,03
1990²
74.646
869.067
11,64
1995²
74.676
940.537
12,59
2000²
66.505
1.156.332
17,39
2001²
63.931
1.050.360
16,43
2002²
68.869
1.222.124
17,75
2003²
68.790
1.229.848
17,88
2004²
57.496
1.127.660
19,61
2005²
58.388
1.137.684
19,48
Fonte: ¹ FAO (2005) ²IBGE (2006).

Principais regiões produtoras nacionais

Tabela 4. Área, produção e produtividade da cebola nos principais estados produtores do Brasil, 2004. 
Estados
Área (ha)
Produção (t)
Produtividade (kg/ha)
Santa Catarina
21.417
436.597
20,39
Rio Grande do Sul
11.252
158.086
14,05
São Paulo
6.590
186.120
28,24
Paraná
5.943
80.197
13,49
Bahia
5.877
126.333
21,50
Fonte: IBGE (2006).
Em 2004, Santa Catarina foi o estado líder em área cultivada e produção, com 38,5% do total, seguido, em ordem decrescente, pelo Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia e Paraná (Tabela 4). Quanto à produtividade média nacional, Goiás se destacou com 51,8 t/ha em uma área cultivada de 330 hectares, com uma produção de 17.100 toneladas.
No Nordeste brasileiro, a cebola foi introduzida no final da década de 40. É predominantemente produzida no Vale do São Francisco, onde é cultivada durante o ano todo, com concentração de plantio nos meses de janeiro a março. Em 2004, gerou cerca de 60.000 empregos diretos e indiretos, e movimentou na região cerca de 131,49 milhões de reais, segundo o IBGE. A área plantada está estabilizada em torno de 10.500 ha/ano (Tabela 5), oscilando de acordo com os preços do ano anterior. Nos últimos 45 anos (Tabela 5), houve um incremento na produção, da ordem de aproximadamente, 2335%, em decorrência do aumento da produtividade que praticamente duplicou neste período, em função de trabalhos de pesquisa no manejo da cultura e, principalmente, pelo uso de cultivares desenvolvidas e melhor adaptadas às condições regionais. No entanto, a produtividade média regional, em torno de 20,0 t/ha, apesar de ser superior à média nacional de 19,6 t/ha, é bastante inferior aos 28,0 t/ha da Argentina, o principal concorrente da cebola nordestina nos meses de abril a junho.
Dentre os principais municípios produtores de cebola, destacam-se: Ituporanga, Alfredo Wagner e Aurora, em Santa Catarina, São José do Norte - RS e São José do Rio Pardo - SP, com áreas iguais ou superiores a 1.800 ha. Em 2004, Ituporanga - SC foi o principal produtor do país, com área de 4.800 ha e produção de 120.000 toneladas. Quanto a produtividade média, São José do Rio Pardo - SP se destacou, com 35,0 t/ha (Tabela 6).

Evolução do cultivo de cebola no Nordeste brasileiro

Tabela 5. Evolução da área plantada, produção e produtividade de cebola no Nordeste brasileiro (Bahia/Pernambuco), 1960/2005.
Anos
Área (ha)
Produção (t)
Produtividade (t/ha)
1960
-
11.661
-
1970
-
27.163
-
1975
-
29.268
-
1980
10.738
111.665
10,40
1985
5.100
44.936
8,81
1990
7.846
102.791
13,10
1995
11.268
155.755
13,82
2000
7.571
123.240
16,28
2001
8.035
170.129
21,17
2002
10.527
223.805
21,26
2003
10.534
242.189
22,99
2004
10.397
205.729
19,79
2005
11.593
219.785
21,21
Fonte: IBGE (2006).
A produção nordestina de cebola se de­sen­volve nas regiões do Baixo e Médio São Francisco, principalmente nos municípios baianos de Casa No­va, Jua­zeiro, Sento Sé, Curaçá, Abaré e Itaguaçu e nos mu­nicípios pernambucanos de Belém de São Francisco, Cabrobó, Floresta, Itacuruba, Lagoa Grande, Orocó, Parnamirim, Petrolândia, Petrolina, Salgueiro, Santa Maria da Boa Vista e Terra Nova. Estes dois estados respondem pela totalidade da área plan­tada no Nordeste brasileiro. As cultivares mais usadas, são principalmente, as liberadas pelo IPA (Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária), além da série Texas Grano e Granex e Alfa Tropical. Entre os principais municípios da região Nordeste, Sento Sé - BA e Cabrobó - PE sobressaem como os maiores produtores, respectivamente, com 2.180 e 1.000 ha cultivados e produtividade média em torno de 18,0 t/ha. No que se refere à produtividade média, o município de América Dourada - BA apresentou os melhores resultados, com 34,0 t/ha, bem superior à média nacional, que foi de 19,6 t/ha.

Principais municípios produtores no Brasil e no Nordeste

Tabela 6. Área, produção e produtividade média dos principais municípios produtores de cebola do Brasil e do Nordeste, 2004.
Municípios
Área (ha)
Produção (t)
Produtividade (kg/ha)
Brasil
Ituporanga - SC
4.800
120.000
25,00
Alfredo Wagner - SC
3.500
70.000
20,00
São José do Norte - RS
2.000
40.000
20,00
São José do Rio Pardo - SP
1.800
63.000
35,00
Aurora - SC
1.800
45.000
25,00
Imbuia - SC
1.400
35.000
25,00
Monte Alto - SP
1.250
31.250
25,00
Canguçu - RS
1.200
7.200
6,00
Angelina - SC
950
11.400
12,00
Divinolândia - SP
920
24.270
26,38
Nordeste
Sento Sé - BA
2.180
39.240
18,00
Cabrobó - PE
1.000
18.000
18,00
Casa Nova - BA
743
13.374
18,00
Belém do S. Francisco - PE
700
10.500
15,00
João Dourado - BA
500
13.000
26,00
Orocó - PE
400
8.000
20,00
Santa Maria da B. Vista - PE
400
7.200
18,00
Terra Nova - PE
400
8.000
20,00
Juazeiro - BA
384
6.257
16,29
América Dourada - BA
350
11.900
34,00
Fonte: IBGE (2006).