domingo, 21 de agosto de 2016

Cultivo de Batata Orgânica

Alguns produtos agrícolas são severamente castigados pela mídia como sendo a fonte de toda contaminação por agrotóxicos ingeridos pela população. Talvez este seja um dos fatores que impedem um consumo maior de frutas, legumes e verduras. Certamente os cultivos feitos por produtores conscientes, assessorado por técnicos responsáveis, os produtos que são colocados no mercado estão dentro dos padrões exigidos mundialmente. Para comprovar este fato, pesquisas recentes têm mostrado um grande passo na redução dos resíduos de agrotóxicos contidos nos produtos amostrados nos grandes mercados do país. Entre os produtos de destaque, a batata.
Admitindo que os produtos agrícolas do nosso mercado estejam dentro das especificações exigidas em níveis de contaminação por agroquímicos, existe o consumidor de produto orgânico que não abre mão de consumir produtos certificados que não tiveram nenhum tipo de aplicação de fertilizantes, inseticidas, herbicidas ou qualquer outro produto químico no processo de produção. Não são tão exigentes quanto ao padrão e reconhecem que em determinadas épocas do ano a qualidade diminui, mesmo assim continuam a consumir. Mesmo com o preço bem mais alto que os produtos convencionais este tipo de consumidor é fiel.
Quando falamos de cultivo de batata sem fertilizantes químicos, sem inseticidas e fungicidas que são utilizados para a cultura, há sempre a questão, é possível?
É bem claro que ainda não temos um “pacote” pronto para a produção de batata orgânica, mas é possível produzir de maneira satisfatória com que temos disponível no mercado. Além dos insumos, adubos orgânicos e sementes o conhecimento da cultura é indispensável para ter sucesso nesta atividade. A agricultura orgânica exige muito mais cuidados e aplicação do conhecimento que os cultivos convencionais. Conhecer a fisiologia da cultura, bem como saber as diferentes características de cada variedade a ser plantada é fundamental para uma boa produção.
Antes de iniciar nesta atividade é preciso entrar em contato com órgãos certificadores de orgânicos, pois, para obtenção de um certificado é preciso cumprir uma série de exigências, que vão desde o histórico da área até uma lista de produtos que possuem selo ou aprovação para seu uso nesta atividade. Outro ponto importante, ou melhor, imprescindível é contatar empresas que possam comprar o produto, estipular o padrão de classificação e se possível estabelecer um preço, mesmo antes da colheita. Não podemos esquecer que todo mercado funciona da mesma maneira, lei da oferta e procura. Certamente no mercado de orgânicos a batata juntamente com outros produtos tem sempre uma procura maior que a oferta.
Depois de resolvido o grande dilema da comercialização e certificação, é o momento de organizar e planejar a produção.
Como já mencionado, conhecer a variedade que vamos trabalhar é vital para o sucesso do nosso empreendimento. Mesmo no cultivo convencional é comum ter lavouras com grandes frustrações por manejar erradamente a variedade. Sempre digo que mudar de variedade de batata é como mudar de espécie botânica.
Variedades para cultivo orgânico deve ter certas características como segue, ser precoce na tuberização, ter um sistema radicular bem desenvolvido, maior tolerância possível a requeima (P. infestans) e alternaria. Estes são itens básicos, mas outras características também são sempre bem-vindas. Não ser tão atrativa a insetos, ter resistência a viroses, boa aparência dos tubérculos e boas qualidades culinárias. Certamente estas características todo bom produtor procura, entretanto no cultivo orgânico não temos a possibilidade de recorrer aos inúmeros fungicidas e inseticidas que existe no mercado para literalmente “salvar a lavoura”.
As variedades brasileiras oriundas de vários programas de melhoramento genético nacional são as mais indicadas. Mas é possível encontrar produtores orgânicos plantando variedades importadas (Monalisa, Baraka, Caesar, Cupido, Ágata) com diferentes resultados, mas certamente sem ter muita idéia do que vai produzir. Se o plantio é feito em época que há chances da ocorrência de requeima, certamente as chances de perder toda a lavoura são grandes, e isto ás vezes ocorre.
As variedades que tem se mostrado bons resultados no cultivo orgânicos são: BRS Ana, Cristal, Camila, Eliza da EMBRAPA, Itararé, Aracy do Instituto Agronômico de Campinas. Todos estes materiais tive a oportunidade de acompanhar em cultivo orgânico, muitas com testemunha de variedades importadas. Todas estas variedades possuem um potencial para atingir acima de 27.000 kg/há.

Originária da América do Sul, a batata (Solanum tuberosum L.) está disseminada na maioria dos países do mundo; pertence à família das solanáceas, assim como o tomate, pimentão, berinjela e fumo e, caracteriza-se pela formação de caule subterrâneo intumescido, onde se acumulam reservas, denominado tubérculo (parte comestível). A batata, denominada erroneamente de "batata-inglesa", é um dos poucos alimentos capazes de nutrir a crescente população mundial, não apenas como energético, mas também como fonte de proteínas, vitaminas e sais minerais. É boa fonte de vitamina C e do complexo B, além de ser rica em potássio, com bons teores de fósforo e magnésio e razoável fonte de ferro. O baixo conteúdo de sódio a credencia para dietas que exigem baixo teor de sal. As diversas formas de apresentação tornam a batata um dos produtos mais utilizados na cozinha em todo o mundo, como fritas, saladas, purê, cozidas e assadas. A praticidade e a versatilidade culinária da batata evidenciam também a potencialidade para o investimento e desenvolvimento de produtos industrializados, com níveis de produção e consumo ainda muito baixos no Brasil, mas com boas perspectivas de mercado. A cultura apresenta maior destaque no Sudeste e Sul do país, em função das condições de clima mais favoráveis e do hábito alimentar dos habitantes, em sua maioria descendentes de europeus.
   O cultivo orgânico é uma boa opção de renda aos produtores, pois além de agregar maior valor aos produtos através do sistema de produção, reduz o custo de produção com insumos que podem ser preparados na propriedade, proporcionando maior autonomia do produtor que, por sua vez, não fica dependente de insumos importados cada vez mais caros. É importante destacar que no período de 12 meses (junho/2007 a maio/2008), os fertilizantes e os agrotóxicos que o Brasil importa em sua grande maioria (cerca de 70%), tiveram um aumento de 120 e 70%, respectivamente. Por ser uma das hortaliças que mais utiliza agrotóxicos, o cultivo orgânico é essencial para garantir a saúde do produtor, consumidor e meio ambiente.

Recomendações técnicas

Escolha correta da área e análise do solo: sempre que possível escolher áreas não cultivadas nos últimos três anos com batata e outras espécies da mesma família botânica. Solos contaminados com murchadeira e fusariose, doenças causadas por bactéria e fungo, respectivamente, não devem ser utilizados. Solos mal drenados, argilosos, pouco ensolarados e locais sujeitos a neblinas devem ser evitados. A análise do solo com antecedência é essencial para se fazer a recomendação adequada de adubação e correção da acidez. O excesso de calcário eleva o pH do solo que favorece a sarna comum, doença que contamina os tubérculos e o solo. O excesso ou a deficiência nutricional favorecem as doenças foliares e afeta a qualidade dos tubérculos.

.Uso de batata-semente de boa qualidade: 
o emprego de "semente" contaminada por viroses (doenças que causam a degeneração), sem brotação ou com brotação excessiva e/ou esgotada, leva ao fracasso da lavoura. O plantio de batata-semente em dormência, origina lavoura desuniformes e de fraco desenvolvimento. A aquisição da "semente" com antecedência, caso não esteja brotada, guardando-a em local protegido de pulgões para que a brotação ocorra naturalmente, é o ideal. A aquisição de algumas caixas de batata-semente de boa qualidade (certificada, registrada ou básica), multiplicando-a em área isolada sem problemas de doenças, no plantio de inverno/primavera, visando a produção de "semente" própria para o plantio de batata consumo no outono, no Litoral Catarinense, é uma boa alternativa para reduzir o alto custo deste insumo.

.Uso de cultivares adaptadas: 
no cultivo de batata orgânica é fundamental o uso de cultivar resistente às doenças foliares. Dentre as cultivares, a Epagri 361Catucha e SCS 365 Cota são as que mais se destacam pela alta resistência à requeima e pinta-preta, principais doenças foliares da batata . Além da maior adaptação ao cultivo orgânico, estas cultivares possibilitam maior renda ao produtor, pois os tubérculos produzidos possuem alto teor de matéria seca, um dos principais requisitos para a industrialização na forma de "chips" batata palha e pré-fritas (palitos). A Epagri, através da Estação Experimental de São Joaquim, está multiplicando batata-semente de boa qualidade, das cultivares Catucha e SCS 365 Cota.

Preparo adequado do solo:
 recomenda-se uma lavração profunda, com antecedência mínima de 30 dias e outra próximo ao plantio, quando houver condições adequadas de umidade do solo. Por ocasião do plantio da "semente", gradear o solo uma a duas vezes. O solo bem preparado, associado a amontoa (chegamento de terra) bem feita (cerca de 20 cm), sem torrões, reduz as pragas de solo como a larva-alfinete e larva-arame que ao perfurarem os tubérculos depreciam comercialmente os tubérculos colhidos

Adubação equilibrada: 
para uma adubação equilibrada, recomenda-se a análise do solo e dos teores de nutrientes do adubo orgânico, com antecedência. Plantas bem nutridas são mais resistentes às doenças e pragas, produzindo tubérculos de melhor qualidade. O desequilíbrio nutricional aumenta a suscetibilidade às doenças da folhagem e à sarna dos tubérculos e, pode afetar a qualidade culinária e industrial da batata. 

Plantio na época recomendada: 
a batateira não tolera geadas e excesso de umidade. Temperaturas noturnas elevadas, na época de tuberização, prejudicam e até impedem a formação de tubérculos. Plantio de outono e de inverno (março/abril) – em regiões onde não ocorrem geadas (Litoral). Plantio de primavera (setembro/outubro) – em regiões onde ocorrem geadas. Plantio de verão (dez./janeiro) - onde as temperaturas são amenas no verão (Planalto). 

Irrigação: 
a batata, embora seja uma das hortaliças mais exigentes em água (consome de 300 a 500 mm de água durante todo o ciclo), é também prejudicada pelo excesso, pois reduz a aeração do solo, aumenta a lixiviação de nutrientes e, ainda, favorece às doenças. O sistema de irrigação por aspersão, embora seja o mais utilizado, favorece a ocorrência de doenças foliares (requeima e pinta-preta). Para diminuir este problema, recomenda-se sempre que possível, a irrigação pela manhã para evitar que a folhagem permaneça com umidade durante a noite. A fase do início da tuberização ao início da senescência (maturação)que vai de 45 a 55 dias após a emergência, é a mais crítica quanto à deficiência hídrica, podendo haver decréscimo da produtividade e o aparecimento da sarna-comum. Irrigações excessivas neste período podem favorecer o aparecimento das doenças de solo e da folhagem. A alternância de excesso e falta de água pode causar defeitos morfo-fisiológicos tais como embonecamento, rachaduras e outras deformações nos tubérculos. 

Amontoa: 
consiste em chegar terra junto às plantas, para melhorar sua fixação ao solo e, ainda para evitar que os tubérculos se desenvolvam fora da terra, favorecendo o esverdeamento. Uma boa amontoa em ambos os lados da fileira formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura, quando as plantas estão com 25 a 30 cm de altura, reduz os danos de insetos que perfuram e depreciam comercialmente os tubérculos.

Manejo de doenças e pragas:
 é possível prevenir o aparecimento e o desenvolvimento de grande parte delas com as seguintes medidas preventivas: a) escolha correta da área; b) uso de tubérculos-sementes sadios e protegidos dos pulgões; c) utilizar cultivares resistentes; d) arar o solo com três meses de antecedência para expor as pragas de solo e os patógenos ao dessecamento; e) plantio na época recomendada; f) evitar escalonamentos de plantios e o uso de "semente" de tamanhos diferentes na mesma área pois as plantas mais velhas são mais suscetíveis à pinta-preta, disseminando-a para as mais jovens; g) nutrição e correção da acidez conforme análise do solo; h) um bom preparo de solo (sem torrões) e a amontoa adequada (em torno de 20 cm) reduz os danos (perfurações nos tubérculos) causados pela larva-alfinete; i) destruição dos restos de culturas, refugos de tubérculos, plantas hospedeiras e plantas voluntárias das proximidades da lavoura; j) pulverização preventiva com calda bordalesa ( 0,5%), a cada 7 a 10 dias, a partir da emergência das plantas, visando o manejo de doenças e pragas da parte aérea; k) pulverização com urina de vaca a 1%, visando o manejo da pinta-preta após a amontoa e l) rotação de culturas com gramíneas. 

Colheita, classificação e armazenamento: 
a batata consumo deve ser colhida em dias secos, amenos e com baixa umidade no solo para evitar a contaminação dos tubérculos por doenças. As hastes devem estarem secas e os tubérculos com a película firme. A colheita deve ser feita 10 a 15 dias mais tarde para que a película dos tubérculos não se solte. Iniciar a seleção dos tubérculos durante a colheita, após a secagem externa deles, eliminando-se os podres e com defeitos. A classificação deve ser feita por tamanho. Após a embalagem em sacos, deve-se guardar as batatas em locais limpos, ventilados e escuros para evitar o esverdeamento. Recomenda-se apenas a escovação dos tubérculos, evitando-se a lavagem dos mesmos.




sábado, 6 de agosto de 2016

irrigação de gotejamento na batata



1 – Introdução 
A elevada exigência hídrica da cultura da batata, associada a elevados custos de produção, alto risco característico da atividade e perspectiva de retorno financeiro compensador fazem com que a irrigação seja prática indispensável para a obtenção de produtividade elevada no empreendimento, em especial nos plantios realizados na estação seca.

Tradicionalmente, os métodos mais utilizados para a irrigação da cultura da batata são aspersão convencional, canhões autopropelidos e pivot central. Tais métodos possuem algumas características comuns como o fato de serem dotados de equipamentos que possibilitam sua movimentação 
pelo terreno, aplicando-se água em parte da área cultivada em cada turno. Por isto, aplica-se grandes volumes de água por turno, necessários para suprir a demanda da cultura por vários dias. Apesar de possuírem relativa eficiência de irrigação, algumas conseqüências negativas decorrem do seu uso como aplicação excessiva e desperdício de água, maior consumo de energia, maior necessidade de mão-de-obra, 
lixiviação de nutrientes no perfil do solo reduzindo a eficiência das fertilizações, molhamento da parte aérea das plantas, lavando parte dos defensivos aplicados e causando até severos danos mecânicos nas folhas, criando, assim, condições que favorecem a ocorrência de doenças.

Considerando-se a preocupação crescente com a escassez de água e a necessidade premente de economia tanto de água quanto de energia, os bataticultores defrontam- se hoje com o desafio de continuarem 
a desempenhar seu papel de enorme importância social e econômica, porém com maior racionalidade no uso dos recursos naturais. Assim, a utilização de métodos de irrigação e de práticas de manejo que permitam maior eficiência no uso da água e menor consumo de energia são metas imprescindíveis 
para a bataticultura moderna. Neste contexto, a irrigação por gotejamento destaca- se como a tecnologia de irrigação e fertilização mais racional para o setor, visto ser o método que possibilita maior eficiência 
no uso da água e que apresenta a menor demanda de energia e de mão-de-obra. No presente artigo discute-se as principais características do gotejamento, suas potencialidades para a cultura da batata 
e resultados decorrentes de 4 anos de pesquisa da Netafim Brasil e empresas associadas na adequação da 
tecnologia do gotejamento às condições de cultivo da batata do Brasil Central.



Foto 1: Aspecto visual de campo de batata cv. Atlantic aos 25 dias de idade irrigado por gotejamento NETAFIM.

2 – Irrigação por gotejamento para batata: A irrigação por gotejamento iniciou-se em Israel, em meados dos anos 60, e desde então vem experimentando intensas inovações tecnológicas, evoluindo crescentemente. Um projeto de irrigação por gotejamento possui alguns componentes básicos comuns a qualquer sistema como bombas e tubulações de recalque, se diferenciando dos outros métodos pelas seguintes características:
- São sistemas que possibilitam irrigar toda a área plantada simultaneamente (Foto 1). Assim, irriga-se sempre que necessário, permitindo a aplicação de lâmina de água suficiente para suprir a demanda hídrica de 1 ou 2 dias;
- A água é transportada no interior de tubos de pequeno calibre, sendo aplicada ao solo de forma localizada, sob baixas pressões, por meio dos gotejadores. A ação de cada gotejador cria uma zona úmida ao redor das plantas chamada bulbo úmido, e com a junção de cada um dos bulbos criase 
uma faixa úmida seguindo a linha das plantas (Foto 1);

Assim, na irrigação por gotejamento são aplicados pequenos volumes de água com elevada frequência, ou seja, com intervalos curtos entre as irrigações, sendo o método que permite atingir os maiores níveis de 
uniformidade, precisão e controle da irrigação e da nutrição das plantas.



Detalhe de planta da cv. Atlantic cultivada sob irrigação por gotejamento NETAFIM, por ocasião
O gotejamento já é um método consagrado para irrigar hortaliças, sendo a sua adequação para a cultura da batata considerada como um importante desafio na irrigação por gotejamento no Brasil. De posse 
das experiências da Netafim em diversos países do mundo e de 4 anos de testes a campo realizados pela Netafim Brasil e empresas parceiras, a irrigação por gotejamento traz os seguintes benefícios 
para a cultura da batata e para o bataticultor:

- 30 a 50% de economia de água: 
- Maior produtividade e melhor qualidade sanitária, aspecto de muita importância para batata-semente; 
- Menor gasto de energia elétrica, necessitando de 1 cv/ha contra 2,5-3 cv/ha dos outros métodos; 
- A aplicação de água não causa molhamento foliar, concorrendo para melhoria do aspecto sanitário da cultura e redução do uso de defensivos; 
-Permite a realização de quimigação que é a aplicação de produtos químicos (defensivos e fertilizantes) na água de irrigação; 
- Permite a aplicação de fertilizantes utilizando a água de irrigação como veículo (fertirrigação), permitindo que se aplique nutrientes em qualquer fase do ciclo da cultura; 
- Permite a automação da irrigação; 
- Permite a realização de trato fitossanitário simultaneamente à irrigação; 
- Redução do uso de tratores e de equipamentos de pulverização; 
- Redução do uso de mão-de-obra para as práticas de irrigação, fertilização e tratos fitossanitários; 
-Redução dos custos de produção e maior lucratividade;

3 – Resultados experimentais e perspectivas futuras: Em ensaio conduzido no ano de 2000 na estação Experimental da Zeneca em Holambra-SP, foi estudada a produtividade da cv. Atlantic sob condições 
de irrigação por gotejamento e por aspersão. Foram montadas 2 áreas de gotejamento e 1 área de aspersão, as quais foram preparadas e semeadas seguindo padrão único. Também receberam 1,5 t/ha de Superfosfato Triplo a lanço em toda área e o mesmo controle fitossanitário. Nestas foram realizadas as seguintes práticas de fertilização e irrigação:

Tratamento 1: 
2,0 t/ha de 04-16-08 aplicadas no sulco de plantio, totalizando 80 kg/ha de N, 320 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por gotejamento em linhas simples, utilizando tubo-gotejadores equipados com gotejadores Super Typhoon 125 espaçados de 0,5 m e com vazão de 1,6 L/ h; 
Manejo de irrigação seguindo proposta da Netafim para gotejamento em batata; Fertirrigação com fertilizante fluido 10- 00-10, totalizando 209 kg/ha de N e 209 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 289 kg/ ha de N, 965 kg/ha de P2O5 e 369 kg/ha de K2O;

Tratamento 2: 
1,0 t/ha de 04-30-16 aplicada no sulco de plantio, totalizando 40 kg/ha de N, 300 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por gotejamento em linhas simples, utilizando tubo-gotejadores equipados com gotejadores autocompensantes tipo RAM 1,6Q espaçados de 0,5 m e com vazão de 1,6 L/h; 
Manejo de irrigação seguindo proposta da Netafim para gotejamento em batata; 
Fertirrigação utilizando nitrato de amônio e cloreto de potássio comerciais, totalizando 207 kg/ha de N e 160 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 247 kg/ ha de N, 945 kg/ha de P2O5 e 320 kg/ha de K2O;

Tratamento 3: 
2,0 t/ha de 04-16-08 aplicadas no sulco de plantio, totalizando 80 kg/ha de N, 320 kg/ha de P2O5 e 160 kg/ha de K2O; 
Irrigação por aspersão em turnos de rega variáveis (geralmente 4 dias), de acordo com as condições climáticas; 
Adubação em cobertura utilizando fertilizante granulado 20-00-20 na dosagem de 800 kg/ha, aplicados aos 30 dias após plantio, totalizando 160 kg/ha de N e 160 kg/ha de K2O; 
Total de nutrientes aplicados: 240g/ha de N, 965 kg/ha de P2O5 e 320 kg/ha de K2O; 
As produtividades obtidas em cada área constam na Tabela 1:

O incremento de produtividade obtido em relação à aspersão (8 t/ha), em adição à economia de água, energia elétrica e de defensivos proporcionada pelo gotejamento, demonstram a viabilidade econômica do 
método, permitindo amortizar o investimento feito na aquisição do projeto de gotejamento em uma ou duas safras. Atualmente, um ensaio para produção de batata-semente sob gotejamento vem sendo conduzido em Patos de Minas-MG, junto ao “Grupo Nascente” com excelentes resultados preliminares. Destacam-se neste ensaio, a aplicação de defensivos via água de irrigação com notável economia de defensivos 
e de mecanização; a economia de água em relação ao pivot central; a aplicação de P, Ca e micronutrientes em fertirrigação (em adição ao N e ao K) e o excelente aspecto fitossanitário da cultura.

Os resultados finais serão obtidos em setembro do presente ano. Recentemente foi instalada uma área 
comercial para produção de batata consumo em Monte-Mor-SP, junto aos “Irmãos Andrade”, na qual vários testes de fertirrigação estão sendo conduzidos, sempre tendo como testemunha métodos tradicionais de irrigação e fertilização da batata.. Diante da conjuntura atual de pressão por racionalização no uso dos recursos naturais e elevada competitividade no setor, os bataticultores devem buscar a redução de custos e a obtenção de resultados de produtividade e qualidade cada vez melhores, sendo 
a irrigação por gotejamento uma das inovações tecnológicas mais importantes para a modernização da bataticultura brasileira.






sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cultura da Capiçoba (Erechtites valerianaefolia DC.)



INTRODUÇÃO

A espécie Erechtites valerianaefolia DC., família Asteraceae, é nativa do Brasil, mas não endêmica.
Ocorre nas Regiões Sul, Sudeste, Nordeste e também no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul e norte do Pará. Está presente em quatro biomas: Cerrado, Caatinga, Pampa e Mata Atlântica.
É espécie pioneira e aparece em áreas que sofreram alterações recentes na vegetação ou no solo,
especialmente pelo fogo. Apesar de ser considerada planta daninha na agricultura empresarial, é consumida como hortaliça no interior de várias regiões do País. Faz parte da lista das hortaliças não convencionais e sua multiplicação é incentivada.
No Rio de Janeiro e São Paulo é conhecida como capiçoba ou capiçova. Em Goiás e em algumas
regiões de Minas Gerais, é conhecida como marianica; na Região Sul, é comum a denominação gondó.
Dentre outros nomes populares destacam-se: mariagondó, maria-gomes, almeirãozinho, capariçoba, caperiçoba, capiçova-vermelha, caraçova, caramuru, cariçoba, caruru-amargo, caruru-amargoso.
Os apreciadores da capiçoba afirmam que seu sabor não é nem amargo nem doce, mas é forte,
como se já tivesse sido temperada. Outros dizem que o sabor é marcante e muito refrescante. Ao serem manuseadas, as folhas exalam odor típico, muito agradável.

A capiçoba é planta anual, herbácea e ereta, que pode atingir 150 cm de altura. O caule é ramificado e as hastes são grossas (Fig. 1). As flores, de cor violácea, lilás ou rosa, são hermafroditas e estão agrupadas em capítulos. Pode florescer o ano todo, mas com maior intensidade de outubro a dezembro. É polinizada por abelhas. As sementes são leves e aladas, o que facilita sua dispersão.

As sementes de capiçoba são fotoblásticas positivas e apresentam maior germinação, quando coletadas no inverno, de abril a setembro.

SOLO E ADUBAÇÃO


Os canteiros devem ser preparados como para qualquer outra hortaliça folhosa. Desenvolve-se
melhor em solos leves, férteis, com pH entre 5,8 e 6,3. Em plantios comerciais, a calagem e a adubação devem ser feitas com base na análise química do solo. A capiçaba responde à adubação orgânica, que pode ser aplicada no plantio de 2 a 3 kg de composto orgânico por metro quadrado, e em cobertura (30-35 dias após o plantio), 1 a 2 kg por metro quadrado.


ÉPOCA DE PLANTIO E TRATOS CULTURAIS


Nas regiões com verão muito quente, deve- se plantar a capiçoba de março a agosto. Em regiões
de clima ameno pode ser cultivada todos os meses do ano.
A semeadura pode ser feita em bandejas ou diretamente no canteiro definitivo, o que irá requerer desbaste posterior para obter espaçamento definitivo em torno de 30 cm entre linhas e 30 cm entre plantas.
A capina e a irrigação aumentam a produção, tanto em cultivos domésticos quanto comerciais. Aind não há registro de pragas e doenças em plantas de capiçoba.


COLHEITA


Quando os ramos atingem aproximadamente 40 cm (60 a 80 dias após o plantio) a colheita pode ser iniciada. Após o corte, os ramos devem ser lavados em água corrente e de boa qualidade e amarrados em maços de, aproximadamente, 300 g.
No espaçamento de 30 cm x 30 cm e com peso médio do maço de 300 g, podem-se obter quatro maços por metro quadrado. Os ramos da capiçoba murcham facilmente, por isso devem ser manuseados à sombra e transportados para o local de venda à noite.


VALOR NUTRICIONAL E USOS NA CULINÁRIA


As folhas novas e as inflorescências são utilizadas na alimentação humana. Em Minas Gerais é
comum o uso das folhas refogadas para acompanhar feijão, angu e carnes. Também são utilizadas para preparar ensopados e rechear omeletes, tortas, pastéis e panquecas. As folhas contêm proteína e sais minerais (Quadro 1).

QUADRO 1 - Composição proteica e mineral de folhas de capiçoba (Erechtites valerianaefolia)
Proteína 2,0 Fósforo 27,8 Cálcio   92,9 Cobre 0,2 Potássio 366,3 Magnésio 23,5 Ferro 8,2 Zinco 0,3 Manganês 1,5
(g/100g) mg/100g





     

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Irrigação e Amontoa na Batata (Solanum tuberosum)



Amontoa:

Aproximadamente aos 25-30 dias de plantio, quando as hastes das plantas apresentam de 25 a 30 cm de altura, faz-se a amontoa, que consiste na aproximação de terra, em ambos os lados da fileira de plantas, formando um camalhão com cerca de 20 cm de altura; visando proteger os tubérculos contra a exposição direta dos raios solares, que causam escaldadura e esverdeamento dos mesmos. Dependendo da intensidade das chuvas e do estado vegetativo da cultura, pode ser feita uma segunda amontoa aos 60 dias de plantio para evitar que os tubérculos sejam expostos à luz e fiquem esverdeados, tornando os inadequados ao consumo.
A amontoa, seja ela manual ou mecânica funciona também como controle de plantas daninhas. Este processo, quando não realizado adequadamente, pode provocar ferimentos nas raízes e na parte aérea das plantas, proporcionando portas de entrada para uma série de patógenos, como os que causam a rizoctoniose, murcha-bacteriana, podridão-seca e podridão-mole.
Para proteger a parte do caule que será coberta durante esta operação mecanizada, comumente é feita a pulverização do campo imediatamente antes da amontoa com fungicidas cúpricos. 


Amontoa mecanizada

Irrigação

Último nível tecnológico é assim que o bataticultor pensa quando vai investir para aumentar a produtividade da lavoura. Pois esta é a realidade. Após investir em um bom preparo de solo, em sementes de qualidade, correção e adubação de solo, ideais para ter uma ótima produtividade, e também em defensivos agrícolas para garantir a sanidade da lavoura; o produtor de batata necessita garantir água para a cultura na dose e hora certa para conseguir uma safra com alta produção e com alta qualidade do produto.
É frustrante para o bataticultor, após investir tanto dinheiro e trabalho, ter sua safra comprometida por um revés durante o decorrer do crescimento da cultura. O fator mais limitante para uma boa safra, com batatas de qualidade, é a falta de água. Principalmente a falta de água no período mais crítico para o desenvolvimento da cultura, que, no caso da batata, é a tuberização. A ocorrência de seca durante a formação e enchimento do tubérculo vai ocasionar batatas de tamanho pequeno e de baixa qualidade. Chuvas esparsas durante este período vão causar o embonecamento da batata, que deprecia o valor de venda do produto.
Por isso, é interessante para o bataticultor fornecer à planta uma quantidade adequada de água durante todo o desenvolvimento da cultura. Não se deve promover a “molhação” da lavoura, que é o que ocorre em muitos casos, e é devido a esta prática que a irrigação chega a ser mal vista em muitas regiões, onde o produtor “molha” a cultura com uma lâmina de água aquém da necessária, e também com turnos de rega longos, o que chega a ocasionar colheita com produção e qualidade até inferior a de produtores próximos que não irrigaram suas lavouras.
A irrigação com lâminas de água muito altas, pode provocar apodrecimento da semente e também escorrimento superficial, levando à erosão do solo, bem como à lixiviação (perda do adubo para profundidades superiores a de onde estão as raízes). Turnos de rega muito curtos podem causar problemas fitossanitários devido à má aeração do solo e também à lavagem dos defensivos, causando tanto problemas de podridão de raízes como o desenvolvimento de doenças na parte aérea da batata.
Na cultura da batata, devido a suas características, é interessante ter em mãos um equipamento de irrigação de fácil montagem e desmontagem, de fácil manejo e que não exija muita mão-de-obra, para evitar pisoteio e quebra de plantas. Aí é que se encaixa o Turbomaq, um equipamento robusto, de fácil manejo, que irriga praticamente todo tipo de terreno, tanto no formato, quanto na topografia, fornecendo lâmina de irrigação homogênea ao longo de todo o comprimento da mangueira.

O Turbomaq pode ser fornecido com canhão aspersor ou com barra irrigadora, sendo que, neste caso, a uniformidade de aplicação é maior, irrigando com gotas mais finas, porém com limitação quanto à declividade do terreno. No uso do equipamento com canhão aspersor, a distância entre hidrantes é maior, portanto há menos faixas de irrigação, mesmo sendo a gota um pouco maior. Pode ser usado, com toda a segurança, na irrigação tanto da batata, quanto do feijão.
Por último, um conselho: procurar sempre técnicos e empresas idôneos, que indicam e ofereçam opções de equipamentos e forneçam projeto técnico detalhado e descrição completa do sistema de irrigação a ser adquirido, além de procurar instalar equipamentos para o controle da umidade do solo (tensiômetro), evitando falta ou excesso de água na cultura.

Manejo da Irrigação

A irrigação pode ser definida como a reposição artificial da água no solo, na quantidade correta e no momento oportuno para satisfazer o consumo de água por uma cultura. Evapotranspiração (ET) é o termo empregado para definir o consumo de água por uma cultura. Este consumo é composto pela evaporação da água do solo e pela transpiração da água através do tecido da planta para a atmosfera.
A irrigação não é um substituto de uma prática agrícola, mas um instrumento do manejo agrícola. Ao lado das demais práticas, integra um conjunto de atividades que tem por objetivo o aumento da produção, buscando criar e assegurar as condições ideais para o desenvolvimento da planta. A função essencial da irrigação é propiciar à cultura um suprimento regular de água, de maneira que as demais operações agrícolas, como fertilização, mecanização, controle de pragas e doenças, possam atingir seus máximos benefícios, ou seja, maior produtividade e maiores lucros.
Entre as diversas vantagens do uso da irrigação como prática agrícola, podemos citar:
- Garantia de produção: com a instalação de um sistema de irrigação adequado, não há dependência das chuvas.
- Diminuição dos riscos: após todos os investimentos na preparação do solo, na compra de sementes, na aplicação de corretivos e adubos, não existe o risco de ver tudo perdido por falta de água.
- Colheita na entressafra: a irrigação possibilita obter colheitas fora da época de safra, o que resulta em remuneração extra e abastecimento regular do mercado.
- Aumento da produtividade: com todos os fatores do processo produtivo devidamente equilibrados o uso da irrigação, além de garantir a produção, possibilitará também um aumento dos rendimentos.
- Aumento do índice de exploração agrícola: possibilidade de mais de um plantio por ano, numa mesma área, assegurando maior rentabilidade.
- Quimigação: possibilidade de aplicação de produtos químicos (adubos, herbicidas, inseticidas, fungicidas, nematicidas) com a água de irrigação, reduzindo o trânsito de máquinas, o desgaste da maquinaria e o emprego de mão-de-obra.
Embora a irrigação apresente muitas vantagens, seu uso também tem algumas limitações:
Alto custo inicial: o investimento na aquisição de um sistema de irrigação é elevado em relação ao retorno, que nem sempre se processa a curto ou médio prazo. Por isto recomenda-se cautela na compra de equipamentos, pois uma decisão apressada poderá comprometer o projeto agropecuário.
Falta de mão-de-obra especializada: este é um dos problemas mais sérios enfrentados pelo agricultor, não só no que diz respeito à manutenção, mas também em relação à própria operação de um sistema de irrigação.
A batata é uma das principais hortaliças cultivadas no Brasil, com área plantada estimada na safra de 2003 de 146.963 ha (em três safras) e produção estimada em 2.897.472 t, com produtividade média de 19,7 t/ha (IBGE, 2003). Os principais estados produtores são Minas Gerais, São Paulo e Paraná, os quais respondem por quase 80% da produção nacional de batata. Entretanto, devido às variações edafoclimáticas, práticas culturais e variedades utilizadas, há diferenças significativas entre os valores de produtividade alcançados nas regiões produtoras. A produção comercial de batata pode passar de 40 t/ha se as condições, incluindo fertilidade e umidade, forem adequados durante a safra. O Brasil situa-se em 19º lugar (estimativa da FAO) na lista dos maiores produtores desta cultura.
Neste artigo, serão apresentadas algumas considerações sobre as relações entre o desenvolvimento vegetativo e a produção, com o fornecimento de água na cultura da batata e alguns princípios básicos no manejo eficiente da irrigação. No próximo artigo, apresentaremos os métodos de irrigação mais comumente usados na batata e exemplos de planejamento e manejo da irrigação.
Desenvolvimento da Batata e Disponibilidade da Água no Solo A batata é uma cultura que tem o seu desenvolvimento e produtividade intensamente influenciados pelas condições de umidade do solo. A deficiência de água é freqüentemente mais limitante para a obtenção de altos rendimentos do que o excesso de umidade. Assim, o controle da umidade do solo e o conhecimento do comportamento de parâmetros fisiológicos sob condições variáveis de umidade no solo são decisivos para a maximização da produção da cultura.
O desenvolvimento fisiológico da batata pode ser dividido em cinco estágios:
- Semeadura – emergência;
- Início do desenvolvimento vegetativo - início da tuberização;
- Tuberização;
- Crescimento dos tubérculos;
- Amadurecimento.
A duração de cada estágio depende da variedade, das práticas culturais e das condições ambientais. A batata é particularmente sensível ao déficit hídrico durante o início da tuberização e o desenvolvimento inicial dos tubérculos (transição entre os estágios II e III). Um déficit de água nesta época pode reduzir substancialmente a qualidade e resultar em malformação dos tubérculos. Se o déficit hídrico ocorrer durante o crescimento dos tubérculos (estágio IV), o peso total da produção será mais afetado do que a qualidade. Condições favoráveis de umidade promovem maior número e maior tamanho de tubérculos, maior teor de amido, melhor qualidade culinária e de conservação. Níveis excessivos de água no solo favorecem as podridões de tubérculos e a lenticelose. A alternância de excesso e falta de água pode causar defeitos fisiológicos, como embonecamento e rachaduras.
A produção e a qualidade da batata também são influenciadas pelo excesso de água no solo, resultante de irrigação excessiva ou chuva acima da média. Isto acarreta lixiviação de nutrientes abaixo da zona radicular, causando deficiência nutricional, baixa eficiência no uso do fertilizante e provável contaminação da água subterrânea. A saturação do solo na zona radicular por mais de 8-12 horas pode causar danos por falta de aeração adequada para a respiração das raízes. O excesso de água no solo por ocasião do plantio promove o apodrecimento das sementes e retarda a emergência devido à menor temperatura do solo úmido. Batatas que são super irrigadas durante o crescimento vegetativo e o início da tuberização têm grande chance de desenvolverem coração-negro e coraçãooco, e estão mais sujeitas à morte prematura.
O conteúdo de umidade do solo também tem influência nos danos mecânicos causados aos tubérculos durante o processo da colheita. Se os tubérculos estiverem desidratados, como resultado da baixa umidade do solo, eles se quebrarão mais facilmente no processo de arrancamento mecanizado. Se os tubérculos estiverem túrgidos, devido à alta umidade do solo, eles estarão mais suscetíveis a esfolamento e unhaduras. Neste caso, também poderão ocorrer problemas na qualidade e armazenamento dos tubérculos.
O desenvolvimento do sistema radicular da batata é relativamente superficial (45 - 60 cm), com a maioria das raízes na faixa de até 30 cm de profundidade. A pouca profundidade do sistema radicular é
atribuída à fragilidade das raízes em penetrar camadas compactadas ou outras camadas restritivas. A compactação do solo devido ao tráfego de máquinas pode restringir a penetração das raízes da batata, e é normalmente influenciado pelo conteúdo de umidade do solo no momento da operação de mecanização.
O crescimento das raízes também está relacionado com o vigor geral da cultura e o seu máximo desenvolvimento pode ser alcançado quando as condições de umidade são mantidas em condições adequadas no perfil do solo. Sob certas condições, irrigações leves e freqüentes, ou seja, fornecimento de água a uma pequena profundidade apenas, diminui a capacidade da planta em suportar maiores déficits de água, pois as raízes ficam confinadas naquela faixa superficial onde a umidade está presente. Outro fator importante é a capacidade de transmissão de água no solo que influencia a habilidade de extração de água pelas raízes.
Algumas pesquisas relacionam as condições de umidade do solo com a absorção de nutrientes pelas raízes, pelo efeito indireto do déficit de água no solo na disponibilidade dos nutrientes. Uma vez que a maior parte da matéria orgânica e dos nutrientes está concentrada na zona superficial do perfil do solo, a falta de umidade nesta zona poderá ocasionar a diminuição do desenvolvimento da planta pela redução na capacidade das raízes em absorver os nutrientes disponíveis.
Manejo da irrigação
O manejo racional de qualquer projeto de irrigação deve ter como objetivo melhorar a eficiência do uso da água e diminuir os custos, quer de mão-de-obra, quer de capital, mantendo as condições de umidade do solo e de fitossanidade favoráveis ao bom desenvolvimento da cultura irrigada.
A irrigação não deve ser vista como uma prática isolada. Ela é parte de um conjunto de operações necessário ao atendimento das necessidades das plantas para uma boa produção. Isto significa associar a irrigação com uma boa escolha das sementes, um adequado preparo do solo (manejo conservacionista), uma boa adubação e tratos fitossanitários quando necessários.
No manejo da irrigação, duas perguntas devem ser respondidas: quando e quanto irrigar. A primeira é respondida pelo termo freqüência de irrigação, ou turno de rega, que nada mais é do que o intervalo em dias entre as irrigações. A freqüência de irrigação pode ser fixa ou variável, especialmente levando-se em conta as chuvas que ocorrem no período. Quanto à segunda pergunta, a resposta é baseada nas condições climáticas, em quanto o solo é capaz de armazenar água entre as irrigações e principalmente, na sensibilidade da planta à falta de água, que está relacionada com o seu estágio de desenvolvimento.
Para o máximo retorno econômico, é necessário que o conteúdo de água no solo seja mantido dentro de certos limites ao longo do ciclo da cultura. A batata é exigente em água porque é mais sensível ao estresse hídrico, comparado com outras culturas, além de desenvolver um sistema radicular raso e ser
freqüentemente cultivada em solos de baixa a média capacidade de retenção de água. Estas condições fazem com que os sistemas de irrigação sejam dimensionados para aplicar água mais freqüentemente, em quantidades menores, de forma uniforme, tal que a disponibilidade de água no solo durante o ciclo da cultura seja otimizado. Estas condições também indicam que um manejo eficiente da irrigação na cultura da batata inclua: (1) monitoramento regular da quantidade de água no solo; (2) irrigações programadas de acordo com o uso da água pela cultura e com a capacidade de retenção da água no solo; (3) um suprimento de água e um sistema de irrigação que seja capaz de fornecer a quantidade programada.
A resposta da produção de batata ao manejo da irrigação é ilustrada na Figura 1. Os resultados foram obtidos de uma pesquisa em práticas de manejo de irrigação em 45 lavouras no Estado de Idaho, um dos maiores Estados produtores de batata nos Estados Unidos. A produção de batata é reduzida tanto por irrigação deficiente quanto por irrigação em excesso. Apenas 10% de variação na quantidade de água aplicada durante o ciclo pode resultar em decréscimo da produção devido à sensibilidade da batata ao déficit hídrico; por outro lado, a irrigação em excesso causa aeração deficiente no solo, aumenta os problemas fitossanitários e lixívia dos nutrientes da zona radicular. Um manejo da irrigação otimizado pode aumentar a produção comercializável e ao mesmo tempo reduzir os custos de produção pela conservação da água, energia, fertilizantes e defensivos, e diminuir os riscos de contaminação do ambiente. Um manejo eficiente da irrigação é um pré-requisito para um consistente e máximo retorno econômico.


domingo, 3 de julho de 2016

HortalIças Orgânicas: Pimentão (Capsicum annuum)



A maioria das cultivares em uso por pelos produtores orgânicos de pimentão foram desenvolvidas para sistemas convencionais de produção. Desta forma é necessário encontrar alternativas para o cultivo orgânico, mesmo entre aquelas que não são de uso comercial. Estão sendo realizados ensaios exploratórios com cultivares da coleção de germoplasma de pimentão da Embrapa Hortaliças e híbridos comerciais com intuito de avaliar e resgatar os materiais com melhor adaptação ao cultivo orgânico. Entre maio de 2005 e abril de 2006 foram realizados ensaios com as 25 cultivares listadas a seguir: Tico, Margareth, Agronômico 10G, Fiuco, Bell Boy, Keystone, All Big, Magda, Magna Super, Ambato e os híbridos Ruby e Magali-R, Avelar, Agro Sul Gigante, Margareth, Italiano, Casca Dura Ikeda, Casca Dura Gigante, Vyuco, Califórnia Wonder, Margareth Selecionado, Bruyo, Herpa, Fry King, Marconi, Apolo, Hércules, PCR e I 16. Pode-se observar que cultivares fora de uso comercial como Italiano, I-16, Fry King e Agrosul Gigante, Ambato, All Big e Magna Super juntamente com os híbridos Ruby e Magali-R mostrarm grande potencial para cultivo em sistemas orgânicos. A partir de 2008 às cultivares foram avaliadas na época chuvosa e seca. Na época chuvosa/verão, os híbridos Rubia e Maxinmus são recomendados por ter apresentado peso médio de frutos e produtividade comercial maior. Na época seca/inverno, o híbrido Magali-R éo mais indicado por ter apresentado produtividade total comercial maior que os demais. Para produtores orgânicos que optam pelo uso de cultivares OP, Ambato e Tico na época de verão/chuvoso e Italiano e Tico no inverno/seco são indicados pelo número, peso e produção expressiva de frutos comerciais.

Adubação de plantio: a adubação deve ser feita com base na análise do solo e do adubo orgânico. Se necessário, recomenda-se Composto 1,0 kg/cova + Bokashi 20gr/m2+ fosfato natural50gr/cova (fósforo) aplicado com antecedência e cinzas de madeira 100gr/cova (potássio).

As variedades de pimentão mais cultivadas pertencem a dois grupos: o grupo cascadura, com formato semi-cônico, ligeiramente alongado e coloração verde-escura; e o grupo quadrado, com frutos cilíndricos, com comprimento quase igual ao diâmetro.
Os materiais genéticos que têm apresentado melhor padrão de frutos em sistema orgânico, apesar de sua elevada exigência em nutrientes, são os híbridos, especialmente o ‘Magali’ e o ‘Magali R’.
O pimentão é uma hortaliça típica de clima tropical, exigindo temperaturas noturnas e diurnas mais elevadas que o tomate. As temperaturas mais favoráveis para o desenvolvimento da cultura variam com a fase da planta.
A época de plantio depende do clima da região. Em regiões baixas, com altitude menor que 400 metros, e de inverno ameno, pode ser semeado o ano todo. Mas, nessas regiões, a semeadura de fevereiro a abril propicia melhores condições para a cultura e a colheita se dá na época de melhores preços.
Em locais muito quentes, é melhor cultivar o pimentão no outono-inverno. Em regiões altas e mais frias, acima de 800 metros de altitude, a época de plantio vai de agosto a fevereiro; assim, o cultivo se dá na primavera e no verão. Também nessas regiões, uma boa alternativa é o cultivo do pimentão em estufa. Assim, é possível ter o produto na entressafra, o que traz maiores lucros para o produtor.
Formação das mudas
O semeio deve ser realizado em copos plásticos de 200 cc, com duas sementes/copo, desbastando-se após a germinação, mantendo-se apenas uma muda. Empregando-se substratos orgânicos mais ricos, ou substratos comerciais, estas mudas podem também ser formadas em bandejas.
Também, é recomendável que as mudas sejam feitas dentro de uma estrutura fechada. Elas estarão prontas para serem transplantadas quando estiverem entre 10 e 15 centímetros de altura e entre 6 e 8 folhas definitivas. Por apresentar desenvolvimento mais lento que o tomate, as mudas são transplantadas entre 30 e 45 dias após a semeadura.
Preparo do solo e adubação
O preparo mecânico do solo pode ser dispensado, caso o local não tenha excesso de ervas espontâneas ou se tiver recebido adubação verde. Assim, pode-se proceder a abertura e a adubação das covas diretamente.
O pimentão é uma planta bastante exigente em nutrientes, devendo receber adubações orgânicas de boa qualidade. Deve-se utilizar composto orgânico, na base de 1,0 kg por cova no plantio (peso seco). Passados 30 dias, recomenda-se uma adubação em cobertura com 500g de composto por planta, diluído em água na proporção de 1:2 e aplicado de forma localizada, com regador sem crivo, ao redor das plantas.
O nitrogênio e o potássio são fundamentais para um bom desenvolvimento das plantas e uma boa formação de frutos. Portanto, se possível, a adubação em cobertura com composto pode ser substituída por outros resíduos ricos nesses nutrientes (preferencialmente na forma líquida – biofertilizantes), como torta de mamona, esterco de galinha de gaiola e cinza de madeira.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Plantio de Batata (Solanum Tuberosum)



Época de plantio

A principal safra da cultura da batata nas principais áreas das regiões Sul e Sudeste do Brasil é a “das águas”, que é plantada em agosto-dezembro e colhida a partir de novembro. O plantio "de inverno", realizado de abril a julho e colhido em julho-outubro, é também praticado nessas mesmas regiões, em locais onde não ocorrem geadas, mas depende de irrigações durante o ciclo de desenvolvimento da cultura.
Já o cultivo "da seca", que começa em janeiro-março, deve ser realizado o mais cedo possível para evitar as geadas em regiões onde ocorre inverno rigoroso. Regiões consideradas não tradicionais para o cultivo da batata, como o Planalto Central e áreas altas na região Nordeste, comumente apresentam condições razoáveis de plantio durante o ano, quando não ocorrer excesso de chuva, que dificulta o controle de doenças e prejudica a aparência dos tubérculos. Maiores produtividades e melhor qualidade do produto são obtidas durante o inverno seco, sob irrigação. 

Plantio 

Os sulcos de plantio geralmente têm 10 a 15 cm de profundidade, com espaçamento de 70 a 90 cm, dependendo da finalidade da produção. Para batata consumo, o espaçamentos entre sulcos é de 80 a 90 cm; para batata-semente, utiliza-se 70 a 75 cm entre sulcos. O espaçamento entre as linhas deve permitir o tráfego de máquinas durante os tratos culturais.
A distância entre as plantas, nas linhas, varia de 30 a 40 cm para a produção de batata-consumo e de 20 a 25 cm para o cultivo de batata-semente. A profundidade de plantio depende das condições do solo. Em solos argilosos, normalmente os tubérculos semente são posicionados de 3 a 5 cm abaixo da superfície do solo, já em solos de textura média ou arenosa a profundidades pode ser de até 10 cm.

A quantidade de tubérculos-semente a ser utilizada depende do seu tamanho, uma vez que um tubérculo grande produz maior número de caules do que um tubérculo pequeno. A densidade utilizada varia de 15 a 20 caules por metro quadrado. 


No espaçamento 80 x 30 cm, a necessidade de batatas - sementes (peso médio de 35 g) é de 1,3 t/ha ou 43 caixas de 30 kg ou 26 sacas de 60 kg/ha.


A época do inverno é a mais indicada para o cultivo de muitos tipos de verduras, legumes e frutas, é o tempo ideal para o plantio de batatas, cebolas e morangos. Quero me deter desta vez no plantio de batatas e tudo que envolve sua produção.
As batatas a serem plantadas ficam guardadas por alguns meses em câmara fria, para “quebrar” a dormência. Sem esse procedimento, o processo de germinação fica muito lento, chegando algumas vezes a não ocorrer. Dentro da câmara fria, a batata fica pronta, mas não germina; para isso, é preciso tirá-las da câmara e colocá-las em camadas finas em um lugar coberto e bem iluminado, estimulando assim a pré-germinação dos brotos, que são verdes e curtos. Assim preparada, ela germina rapidamente, dentro de 10 a 14 dias após o plantio, com vários brotos por batata. As batatas são plantadas em distâncias de até 30 cm entre plantas, dependendo do tamanho da semente; a distância entre as linhas é de 75 cm, permitindo assim a passagem do trator ou de um animal para puxar implementos que auxiliam no controle do mato e para sulcar entre as linhas jogando terra solta em volta das plantas. A batata gosta de terra solta para produzir novas batatas.
Este ano, plantamos nossas batatas em terra que ficou infestada com uma erva daninha chamada grama de seda. Essa grama tem “estolões” que crescem dentro da terra. Ao passar um implemento para cultivar essas áreas, estes estolões são cortados em pequenos pedaços que se multiplicam, aumentando a praga. Na agricultura convencional, usa-se herbicida para seu controle, o que não está dentro da nossa maneira de pensar e produzir. Então usamos a máquina de arrancar batatas para arrancar esta grama de seda. Esta máquina corta uma faixa estreita de grama de cada vez e a coloca em uma esteira para tirar a terra, depois a grama é jogada com as raízes em cima do solo para secar ao sol. Uma invenção assim facilita bastante a retirada dessa erva, que pode dominar tanto que a batata acaba produzindo pouco e dificultando muito a colheita da mesma. A mesma máquina pode ser usada para arrancar uma outra erva daninha que também é muito difícil de ser combatida, a tiririca. No site você pode ver as fotos do trabalho da eliminação da grama de seda.
Como vocês podem perceber, para produzir batata não é só plantar e colher.

considerações sobre adubação na batata

Ao longo dos anos, a nutrição da cultura da batata ficou apoiada em uma ou duas formulações de fertilizantes. Com essa atitude, a produtividade e a qualidade da cultura da batata ficou 

limitada e estagnada durante anos. Com a vontade de melhorar e muita determinação de alguns produtores, iniciou-se então uma parceria com o departamento técnico da Utilfertil. A partir daí começamos a pesquisar fatores que até então não eram considerados na hora de se fazer uma recomendação de adubação. Entre ela temos:

1º - Variedade; 

2º - Tamanho da semente ; 
3º - Tempo da câmara; 
4º - Época de plantio; 
5º - Tipo de solo; 
6º - Análise de nutrientes do solo; 
7º - Espaçamento; 
8º - Previsão do tempo e outras mais.

Após essas pesquisas, chegamos a várias conclusões, mas a uma em especial: na cultura da batata não existe uma fórmula que possa atender a todos os produtores, assim, dificilmente uma mesma fórmula poderá dar o mesmo resultado para produtores em condições diferentes. A Utilfertil se orgulha 

de hoje ser responsável pelas melhores produções de batata do Estado de São Paulo e pelo atendimento de primeira linha, sempre visando o melhor para o produtor. Essa prestação de serviços e diferenciação de formulações é exclusividade da Utilfertil, capaz de manipular suas formulações com diferentes tipos de composições de matérias- primas, almejando a obtenção de macro elementos primários, secundários e micro elementos balanceados de acordo com a necessidade.